Caxias avança na construção da sua SAF
A Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul avança no processo formal, iniciado há alguns meses, de transformação do seu futebol profissional em Sociedade Anônima do Futebol, a SAF, prevista na Lei 14.193/21 e atualizada pela Lei 15.427/26.
Antes de qualquer outra informação, a principal: a SAF do Caxias nasce integralmente do Clube.
Diferentemente do que ocorre com frequência no mercado brasileiro, a transformação não está vinculada, neste primeiro momento, à venda de participação, à entrada de investidores ou à transferência de controle. O que o Caxias está construindo agora é a estrutura da SAF, de forma transparente e independente de qualquer proposta. Assim, a Associação preserva integralmente sua liberdade de decisão.
Essa ordem não é um detalhe. É o método escolhido para manter o Clube no controle do próprio processo. Ao estruturar antes de negociar, a Associação consegue definir com precisão o perímetro do futebol. Ou seja, o que integrará a SAF e o que permanecerá sob sua titularidade.
Essa definição será sustentada por auditoria, laudo de avaliação e deliberação das instâncias do Clube. Dessa forma, os interesses institucionais do Caxias ficam assegurados. Se e quando decidir avaliar um investimento, o Clube chegará à mesa conhecendo o próprio ativo melhor do que qualquer interessado.
O que é a SAF?
A Sociedade Anônima do Futebol é um tipo de sociedade criado por lei especificamente para o futebol. Ela não substitui o Clube: a Associação continua existindo, com seus associados, seus conselhos e sua história.
A legislação permite que o futebol profissional passe a ser exercido por uma companhia com personalidade jurídica própria, capital social e regras societárias definidas.
A diferença não está apenas em organizar melhor o que já é feito, mas também no que uma associação, por sua natureza jurídica, não pode fazer. Uma associação não possui capital social e não pode receber investimento; uma SAF pode.
Hoje, a Associação responde com todo o seu patrimônio pelos riscos da atividade do futebol. Na SAF, essa operação passa a ter patrimônio próprio e separado. A Associação é administrada por dirigentes eleitos em ciclos estatutários, a SAF, por profissionais que respondem pessoalmente por seus atos, conforme a Lei das Sociedades Anônimas.
É essa mudança de natureza jurídica que o Caxias está construindo.
O que não muda?
Nome, escudo, cores, hino, mascote, sede e história do Clube permanecem sob titularidade da Associação.
A legislação assegura à Associação uma classe especial de ações, com poder de veto sobre qualquer alteração nesses elementos. Não se trata de uma promessa de gestão, mas de uma proteção prevista em lei e que será registrada no estatuto da SAF.
O estádio Francisco Stédile, o Centenário, também permanece como propriedade da Associação. Essa definição já foi tomada pelo Comitê de Transformação: a matrícula do estádio não será transferida.
Por que o Caxias está se transformando em SAF?
Proteção do patrimônio do Clube. A atividade do futebol profissional passa a ter patrimônio próprio e separado. Assim, o patrimônio histórico e social da Associação, construído ao longo de mais de nove décadas, deixa de responder pelos riscos da operação profissional.
Acesso a capital. Uma associação não possui capital social e, por sua natureza jurídica, não pode receber investimento. A SAF pode acessar investimentos, instrumentos de financiamento e alternativas de mercado hoje indisponíveis ao Clube.
Regime próprio do futebol. A Lei da SAF criou um regime tributário unificado para o futebol profissional, além de mecanismos legais para o tratamento de obrigações que não existem para as associações.
Administração com responsabilidade pessoal. Os administradores de uma SAF respondem por seus atos conforme a Lei das Sociedades Anônimas. A fiscalização é feita por Conselho de Administração e Conselho Fiscal, com a presença obrigatória de um membro independente. A disciplina de gestão deixa de depender da orientação de cada mandato e passa a ser uma exigência legal, com consequências pessoais para quem administra.
Continuidade além dos ciclos de gestão. A operação do futebol passa a contar com estrutura, mandatos e regras próprias, ficando menos sujeita à alternância dos ciclos estatutários da Associação.
Futuro em aberto, com o Clube no comando. Mesmo depois da estruturação, qualquer decisão sobre investimento ou transferência de controle dependerá da aprovação das instâncias do Clube, conforme determina o Estatuto.
Como está sendo feito?
O Caxias decidiu conduzir esse processo com planejamento e rigor. Para isso, constituiu um Comitê de Transformação, com reuniões periódicas, pauta prévia, atas e registro de pendências, responsáveis e prazos.
O Comitê reúne a Presidência, as Vice-Presidências, o Conselho Deliberativo, o Conselho de Administração, a Diretoria Financeira, conselheiros e ex-presidentes do Clube.
Para a condução técnica do trabalho, o Caxias contratou parceiros especializados em estruturação, governança e criação de valor em ativos do futebol. Eles são responsáveis por coordenar a jornada da Associação até a constituição da SAF.
O escritório Campos Mello Advogados, com atuação em direito societário e no futebol, além de experiência na estruturação de sociedades anônimas do futebol para clubes de diferentes divisões do futebol brasileiro, responde pela auditoria jurídica e pelo apoio ao desenvolvimento dos atos societários necessários à constituição.
Nenhuma etapa avança sem passar pelas instâncias competentes do Clube. A reforma do Estatuto será submetida à Assembleia Geral, após parecer de uma comissão específica constituída pelo Conselho Deliberativo. A transformação em SAF será deliberada pelo Conselho Deliberativo, nos termos do novo Estatuto.
O caminho, passo a passo
Ao final dessas etapas, o Caxias terá uma SAF constituída, auditada e integralmente sua. Somente a partir desse momento, e apenas se as instâncias do Clube assim decidirem, será avaliada a captação de investimentos.
O compromisso com quem sustenta o Clube
O Caxias foi construído por gerações de associados, conselheiros, funcionários e torcedores. Uma decisão dessa natureza não pode ser tomada no escuro nem conduzida sem que a torcida compreenda cada passo.
Por isso, este comunicado é o primeiro de uma série. Cada etapa concluída será informada com a mesma clareza, em linguagem acessível, sem tecnicismos desnecessários e sem promessas que o Clube não possa cumprir.